segunda-feira, 12 de março de 2012

Vestido de fustão José J. Veiga

Os dois elevadores entraram em pane ao mesmo tempo e todo mundo precisou usar a escada. Por sorte dos moradores e visitantes, o prédio, antigo, ó tinha seis andares, e ninguém se estafava em demasia para subir ao seu andar. Tinha os idosos, claro, mas esses, não precisando sair todos os dias obrigatoriamente, podiam muito bem esperar o conserto sem inconvenientes insuportáveis. Talvez até que ficarem retidos em casa por um ou dois dias resultasse em benefício para eles, por mantê-los afastados dos perigos das ruas, mesmo sendo contra a vontade. Com o enguiço simultâneo dos elevadores a administração acordou para a necessidade de limpar a escada. Na madrugada para o segundo dia fez-se bela faxina, e quando os moradores começaram a descer de manhã ficaram literalmente encantados. Só os mais antigos se lembravam que os degraus eram de mármore, e agora reapareciam como que renascidos. E na curva de cada meio-andar havia um vitral que os curiosos ficavam sabendo que fora feito no ateliê de lustres e vitrais de Luiz Giongi, avenida Augusto Severo 48. Todos os cinco vitrais, uns representando flores e folhagens, outros figuras femininas com vestes gregas, foram lavados a jatos de água e sabão nas duas faces, e depois enxugados, mas isso aparentemente só na face interna; a externa foi deixada para se enxugar por si mesma. A escada não era muito larga, e como os degraus na parte oposta à parede se estreitavam para acompanhar a curvatUra, a ponto de não poderem ser usados sem risco, quando acontecia de quem ia subindo encontrar pessoas que vinham descendo, quem subia precisava se espremer contra a parede para dar passagem aos descentes. Mas isso não chegava a ser nenhum transtorno; na maioria eram gente conhecida, que se cumprimentava nesses encontros e trocava comentários sobre a maçada de terem de usar a escada. Foi nessa escada que um senhor de meia-idade chamado Xisto teve um encontro que o sacudiu por demais. Ele trabalhava numa loja de tapetes e cortinas, e uma viúva moradora no terceiro andar telefonara por indicação de uma amiga pedindo alguém para levar mostruário de cortinas e fazer um orçamento. Vendedor competente, o sr. Xisto levava também um mostruário de tapetes; quando se muda ou se instala cortinas numa casa, geralmente cabe a sugestão de se mudar os tapetes para harmonizar o ambiente. Na escada ele se cruza com uma moça. Aliás nem moça completa ainda; pouco mais do que menina. Encontraram-se bem na curva do primeiro para o segundo andar, e naturalmente o sr. Xisto se chegou bem para o lado da parede, à direita. Por um instante a menina recebeu a claridade do vitral no rosto, nos cabelos e no busto. Tinha cabelo castanho cheio, cortado na altura da nuca. Era esbelta e usava vestido de fustão amarelo claro com cinto também de fustão e fivela revestida de couro. Os olhares deles se encontraram, o dele embevecido. Ela sorriu e agradeceu apenas inclinando a cabeça. Sr. Xisto reconheceu imediatamente que acabara de ser contemplado com a visão mais linda e pura de seus quarenta e um anos de vida. Mesmo que não vendesse cortinas e tapetes, já estava com o dia ganho. Com muitos dias ganhos. Sentiu-se leve, flutuante, invulnerável a decepções. A viúva — gorda, alegre, desinibida, limpa, cheirando a banho de ervas — resolvia palavras cruzadas quando o sr. Xisto tocou. Ela mesma atendeu porque a empregada de muitos anos, Ignácia-com-gê, não se esqueça, estava lavando a cozinha. — Sr. Xisto? — disse a viúva escancarando a porta. — Vá entrando. Não fique me olhando de longe. Sei que sou feia, mas não horrorosa. É que o sr. Xisto tinha o hábito de tocar a campanhia e se afastar da porta para não assustar quem abrisse, gesto positivo que aprendera em um curso dado por famoso vendedor americano no hotel Glória, isso quando o Brasil ganhou a terceira Copa do Mundo. — Obrigado, dª Carolina. — Coralina. Não sei por que todo mundo cisma de mudar o meu nome. Parece que querem corrigir meus pais. Falha imperdoável. Estropiar o nome de um cliente. E por cima, de um cliente ainda em perspectiva. O sr. Xisto desculpou-se, porém não exageradamente. Não se deve ser subserviente num trabalho de venda, o subserviente não inspira confiança, dá a impressão de querer ser simpático para vender de qualquer maneira. — Muito bem, sr. Xisto. Agora que o senhor se desculpou e eu aceitei suas desculpas, e nem era preciso se desculpar porque o assunto é irrelevante, vamos ao trabalho. Quando a minha Ignácia-com-gê acabar de lavar a cozinha eu mesma vou providenciar um café para nós dois. Ou o senhor é café-abstêmio? O sr. Xisto disse que, muito pelo contrário, era mais para café, adepto. Abriu a pasta e foi tirando as amostras, primeiro as de cortinas. Eram fotografias grandes a cores, de muito boa qualidade, tendo ao pé retalhos dos tecidos empregados. A sra. Coralina foi separando as que lhe agradaram para novo exame e possível escolha. A partir de certo momento ela notou que o sr. Xisto como que viajava, não estava ali inteiro. Dª Coralina fez umas duas perguntas pertinentes que não o alcançaram. Resolveu sacudi-lo. — Hora de acordar, sr. Xisto. O galo já cantou. O sol já raiou. Ele baixou à terra. Piscou. Situou-se. — Oh, dª Coralina. Me perdoe. Me distraí. — Distraiu-se ou abstraiu-se? Tem diferença, sabia? Ou comeu muito no almoço? Ou tem pressão baixa? Ignácia salvou-os, aparecendo para avisar que a cozinha estava liberada. Ao ver o sr. Xisto, encabulou-se. — Este é o sr. Xisto. Formado em cortinas — disse a dona da casa. — E em tapetes — informou ele, voltando a vendedor. — Ignácia-com-gê, sua criada. Se me dão licença, agora vou repousar. Caso dª Coralina não precise de mim. Dª Coralina disse que não precisava, e desejou bom repouso. Depois do café, não de coador, mas um cappuccino de envelope para dissolver no leite, que o sr. Xisto adorou (pelo menos assim disse) e tomou nota da marca, fecharam negócio das cortinas, uma grande para o quarto, duas não tão grandes para as salas. Tapete ele não conseguiu vender porque o quarto tinha carpete de fora a fora, que dª Coralina achou que não destoava da cortina e ele não teve argumento honesto para discordar; e os tapetes das salas eram quase novos e dª Coralina escolhera as cortinas já pensando neles. Dias depois, o sr. Xisto voltou ao prédio, não para visitar a viúva, conferir medidas, sugerir nova escolha por ter faltado algum tecido; voltou na hora da primeira visita com a esperança de reencontrar a menina vestida de fustão amarelo claro. Não teve sorte, voltou outras vezes. Quando voltou com um auxiliar para instalar as cortinas, ele para acompanhar o trabalho, dª Coralina falava ao telefone na sala de estar. Fez sinal aos dois para sentarem e esperarem. Conversa demorada, misturada com risadas, às vezes com censuras e recomendações. Depois de algum tempo tapou o fone e chamou Ignácia para servir um cappuccino aos cavalheiros; e retomou a conversa. Servido o café, o ajudante pediu em cochicho a sr. Xisto que perguntasse se podia fumar. À vontade, foi a resposta. Os dois acenderam cigarros. Finalmente dª Coralina desligou e veio cumprimentá-los. E se justificou. — Estava falando com a menina que criei. É modelo. Foi para Nova York no começo do mês, contratada por uma agência de lá. Gasta um dinheirão com telefone, fala comigo quase todos os dias. É modelo. Viajou no começo do mês. Está batendo. Quem sabe? — Deve ser bonita — arriscou o sr. Xisto. — Bonita? Põe boniteza nisso, sr. Xisto. Ignácia! Traz o álbum da Ide pra eu mostrar ao sr. Xisto. Chama-se Eurídice, mas aqui em casa sempre foi Ide. O sr. Xisto se iluminou. Só podia ser. Mas lá longe agora... voltaria um dia? Chegou o álbum que o sr. Xisto literalmente arrebatou de Ignácia, mas abriu com indisfarçável reverência, depois de respirar fundo para se segurar. Eurídice em várias poses, em vários instantâneos, naturais ou fingidos de naturais. Linda. Mas não era a menina vestida de fustão amarelo claro, vista na curva da escada, na claridade do vitral. Eurídice tinha cabelos negros, olhos verdes, era mais alta, pernilonga, feições completamente diferentes. Que pena! Ou ainda bem? Devolveu desapontado o álbum, mas felicitou dª Coralina por ter uma filha de criação tão bonita, e desejou tudo de bom a Eurídice. Instaladas as cortinas, o sr. Xisto voltou umas duas vezes à casa da viúva a espaços razoáveis a pretexto de saber se ela estava contente com as cortinas, se tinha alguma reclamação, se precisava de alguma coisa a mais; porém o que ele queria mesmo era subir a escada. Os elevadores já estavam funcionando há muito tempo, mas ele queria reviver o momento encantado do encontro. Numa dessas visitas, dª Coralina disse a ele no seu jeito despachado: — Sr. Xisto, o senhor é um vendedor muito sui generis. Depois de vender sua mercadoria, fica vindo para saber se o comprador está satisfeito ou se está arrependido. Ou anda querendo me fazer a corte? Se for, fique sabendo que estou fora dessas batalhas há muito tempo. Tive marido, fomos felizes, hoje sou uma viúva feliz. — Que isso, dª Coralina, não me julgue mal. É que o lema da nossa firma é: cliente contente é cliente reincidente. — Folgo em saber. Um cappuccino? — Hoje não, obrigado. Vou ver outro cliente. Uma tarde, tomando drinques no Eldorado Joint com uma amiga de colégio, agora psicóloga que escrevia sobre comportamento numa revista feminina, Xisto se abriu. Contou o encontro na escada com a menina vestida de fustão amarelo claro, descreveu com detalhes a imagem dela, os esforços que fizera para reencontrá-la. A amiga escutou tudo atentamente, sem interromper. Quando Xisto parou de falar, ela ficou pensando, girando o gelo no copo com o dedo. Por fim falou. — Sabe o que aconteceu com você? Vou tentar lhe explicar. Antes um prefácio. Pelo que sei, você é um sujeito feliz. Inteligente, simpático, boa conversa. Pequeno empresário bem sucedido. Parece feliz. É? — Bem, sou feliz na medida em que se pode ser feliz numa terra de tanta miséria, tantas frustrações. — Pois é. É o desassossego de todos nós que consegui' mos um grau razoável de independência. Mas como eu dizia, você é bem, sucedido. Ficou viúvo cedo. Amava sua mulher, e vice,versa, acompanhei essa fase de sua vida, se lembra? Você tem carro importado, casa na serra para fins de semana, sempre cheia de amigos. E amigas. Falar nisso, quando é que vai dar outra festa como aquela do seu aniversário em setembro? Voltando atrás. Sabe o que lhe aconteceu naquela escada? — Estou ávido por saber. Para isso lhe arrastei para cá, a você que nunca foi muito de beber. — E eu vim docemente arrastada. Sabe o que aconteceu na escada? Você não viu nenhuma menina vestida de fustão amarelo. Aliás viu, mas não havia menina lá. Foi um encontrou seu com sua ânima. Sabe o que é isso? — Estou ignaro. — Lembrou-se de Ignácia-com-gê e sorriu. — É o lado feminino de sua psique. Esses encontros acontecem quando os dois lados, a ânima e o ânimus, o masculino, estão em harmonia perfeita ou em conflito. Nesse caso, harmonia. — É mesmo? E o que é que eu faço para me livrar disso? Ela sacudiu o copo, sorveu o resto da bebida e disse, empurrando o copo. — Pra mim chega. Detesto uísque. Mas livrar, se por quê? Você deve é cultivar, melhor, cultuar esse momento feliz de harmonia interior, guarde,o na memória, e volte a ele sempre. Principalmente quando se sentir caído, se é que isso lhe acontece. E mais: vestido amarelo. O amarelo não entrou por acaso. Faz parte. Amarelo é sol nascente, isto é, novo dia, renascer. E é também a cor da gema do ovo. Tudo o que vive veio do ovo, se lembra das aulas de história natura!? É a cor do ouro, que representa nobreza, valor. Também a cor do amaranto, que não murcha. Tudo em cima, meu caro. Você não tem que se livrar de nada, tem mais é que abrir os braços para receber mais. Solte foguetes, homem, em vez de ficar preocupado. — Consultou o relógio. — Me dá uma carona? Meu carro está na revisão.

sábado, 3 de março de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Carta de Paris Ana Cristina Cesar

I Eu penso em você, minha filha. Aqui lágrimas fracas, dores mínimas, chuvas outonais apenas esboçando a majestade de um choro de viúva, águas mentirosas fecundando campos de melancolia, tudo isso de repente iluminou minha memória quando cruzei a ponte sobre o Sena. A velha Paris já terminou. As cidades mudam mas meu coração está perdido, e é apenas em delírio que vejo campos de batalha, museus abandonados, barricadas, avenida ocupada por bandeiras, muros com a palavra, palavras de ordem desgarradas; apenas em delírio vejo Anaïs de capa negra bebendo como Henry no café, Jean à la garçonne cruzando com Jean Paul nos Elysées, Gene dançando à meia luz com Leslie fazendo de francesa, e Charles que flana e desespera e volta para casa com frio da manhã e pensa na Força de trabalho que desperta, na fuga da gaiola, na sede no deserto, na dor que toma conta, lama dura, pó, poeira, calor inesperado na cidade, garganta ressecada, talvez bichos que falam, ou exilados com sede que num instante esquecem que esqueceram e escapam do mito estranho e fatal da terra amada, onde há tempestades, e olham de viés o céu gelado, e passam sem reproches, ainda sem poderem dizer que voltar é impreciso, desejo inacabado, ficar, deixar, cruzar a ponte sobre o rio. II Paris muda! mas minha melancolia não se move. Beaubourg, Forum des Halles, metrô profundo, ponte impossível sobre o rio, tudo vira alegoria: minha paixão pesa como pedra. Diante da catedral vazia a dor de sempre me alimenta. Penso no meu Charles, com seus gestos loucos e nos profissionais do não retorno, que desejam Paris sublime para sempre, sem trégua, e penso em você, minha filha viúva para sempre, prostituta, travesti, bagagem do disk jockey que te acorda no meio da manhã, e não paga adiantado, e desperta teus sonhos de noiva protegida, e penso em você, amante sedutora, mãe de todos nós perdidos em Paris, atravessando pontes, espalhando o medo de voltar para as luzes trêmulas dos trópicos, o fim dos sonhos deste exílio, as aves que aqui gorjeiam, e penso enfim, do nevoeiro, em alguém que perdeu o jogo para sempre, e para sempre procura as tetas da Dor que amamenta a nossa fome e embala a orfandade esquecida nesta ilha, neste parque onde me perco e me exilo na memória; e penso em Paris que enfim me rende, na bandeira branca desfraldada, navegantes esquecidos numa balsa, cativos, vencidos, afogados... e em outros mais ainda!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Desaparecido Rubem Braga

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim. Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão. Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.

Sintonia para pressa e presságio- Leminski

Escrevia no espaço. Hoje, grafo no tempo, na palma, na pele, na pétala, luz do momento. Soo na dúvida que separa o silêncio de quem grita do escândalo que cala, no tempo, distância, praça, que a pausa, asa, leva para ir do percalço ao espasmo. Eis a voz, eis o deus, eis a fala, eis a luz que se acendeu na casa e não cabe mais na sala. - Leminski (os cem melhores poemas brasileiros do século)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

NO RESTAURANTE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

- Quero lasanha. Aquele anteprojeto de mulher - quatro anos, no máximo, desabrochando na ultraminissaia - entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha. O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais. - Meu bem, venha cá. - Quero lasanha. - Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa. - Não, já escolhi. Lasanha. Que parada - lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sentar-se primeiro, e depois encomendar o prato: - Vou querer lasanha. - Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão. - Gosto, mas quero lasanha. - Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá? - Quero lasanha, papai. Não quero camarão. - Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal? - Você come camarão e eu como lasanha. O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo: - Quero uma lasanha. O pai corrigiu: - Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada. A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o serviço, ela atacou: - Moço, tem lasanha? - Perfeitamente, senhorita. O pai, no contra-ataque: - O senhor providenciou a fritada? - Já, sim, doutor. - De camarões bem grandes? - Daqueles legais, doutor. - Bem, então me vê um chinite, e pra ela... O que é que você quer, meu anjo? - Uma lasanha. - Traz um suco de laranja pra ela. Com o chopinho e o suco de laranja, veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interessado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrário, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez, no mundo, a vitória do mais forte. - Estava uma coisa, heim? - comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. - Sábado que vem, a gente repete... Combinado? - Agora a lasanha, não é, papai? - Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo? - Eu e você, tá? - Meu amor, eu... - Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha. O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garotinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra-jovem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

SONETO EM ROMEU E JULIETA


Shakespeare escreveu a tragédia Romeu e Julieta que tem o mais alto percentual de rimas em sua obra, assim, teve uma solução notável para o primeiro encontro dos dois jovens: as primeiras quatorze linhas do diálogo entre eles formam um soneto.

Romeu

Se a minha mão profana esse sacrário,
Pagarei docemente o meu pecado;
Meu lábio, peregrino temerário,
O espiará num beijo delicado.

Julieta

Bom peregrino, a mão que acusas tanto
Revela-me um respeito delicado;
Juntas, a mão do fiel e a mão do santo,
Palma com palma terão se beijado

Romeu

Os santos não têm lábios, mãos, sentidos?

Julieta

Ai, têm lábios somente para a reza.

Romeu

Fiquem os lábios, como as mãos, unidos;
Rezem também, que a fé não os despreza.

Julieta

Imóveis, eles ouvem os que choram.

Romeu

Santa, que eu colha o que os meus ais imploram.


Fonte: Heliodora, Bárbara. Falando de Shakespeare. São Paulo: Pespectiva, 1997.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Dica de filme

<a href="http://video.br.msn.com/watch/video/a-sugestao-do-critico-com-a-o-scott-solaris/an0j5p85?cpkey=a3db8c80-4a0c-ca1e-3ae5-eaaf509bd317%7C%7C%7C%7C&amp;src=v5:embed::" target="_new" title="A Sugestão do Crítico com A.O. Scott: &quot;Solaris&quot;">Vídeo: A Sugestão do Crítico com A.O. Scott: "Solaris"</a>

domingo, 12 de junho de 2011

CONCEITO TRADICIONAL DE LEITURA


O conceito tradicional de leitura como decodificação, ou, mesmo, como interpretação de significados estabilizados está de acordo com a suposição de que a linguagem é um instrumento manejado e controlado por nós.
A esse respeito reflete Mariani (2002):

.,. compreende-se que a linguagem organiza nossa realidade, nosso imaginário e nossa memória. Nascemos em um mundo previamente organizado pela linguagem: passamos a vida repetindo e/ ou resistindo, e/ ou rompendo, para transformar sentidos que já circulam no tecido sociocultural. Sem a linguagem, não nos constituímos sujeitos, mas, ao mesmo tempo, é necessário compreender que não somos onipotentes: não podemos dizer tudo, não controlamos totalmente os sentidos. Estar na linguagem é estar significando e sendo significado. Nada é óbvio em se tratando de linguagem, por mais que pareça ser. O sujeito­leitor se encontra inscrito neste processo histórico produzindo sentidos, ou seja, interpretando sua relação com o mundo. Ao mesmo tempo, ele também é produzido na linguagem, tornando-se “produto” de sentidos ideologicamente cristalizados. Ler, nesta outra perspectiva, não é “descobrir” um sentido primeiro ou original. Ao contrário, é saber, criticamente, que o sentido pode ser outro. ( MARIANI, pp. 107 e 108)
Joyce Sanchotene

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Conselho de um velho apaixonado


Conselho de um velho apaixonado



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou
um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 20 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cristovam Buarque-sobre a Amazônia



Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia
para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário
ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de
um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York,
como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas
mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia
seja nossa. Só nossa!

Fonte: circulando na internet

quarta-feira, 27 de abril de 2011

AL DI LA

sábado, 2 de abril de 2011

Leminski

segunda-feira, 7 de março de 2011

DICA DE FILME -ANGEL A

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

DICA DE FILME: O ACOSSADO

<a href="http://video.br.msn.com/?mkt=pt-br&amp;vid=11538171-5614-426f-bda0-1a5f015fba77&amp;from=pt-br&amp;fg=dest" target="_new" title="As Influências de &quot;Acossado&quot;">Vídeo: As Influências de "Acossado"</a>

domingo, 16 de janeiro de 2011

WE OWN THE SKY

domingo, 9 de janeiro de 2011

FILOSOFIA EM ANIMAÇÃO

<a href="http://video.br.msn.com/?mkt=pt-br&amp;vid=f79d67f6-f493-cbbe-8e86-3cd4976fc68d&amp;from=pt-br&amp;fg=dest" target="_new" title="A Sugestão do Crítico com A.O. Scott: &quot;Waking Life&quot;">Vídeo: A Sugestão do Crítico com A.O. Scott: "Waking Life"</a>

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Crueldade e Foie Gras

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes


J’ACUSE !!!
(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes)

« Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice.
(Émile Zola)
Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...)
(Émile Zola)

Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser
outro.

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem
tomando conta dos ambientes escolares.

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e  imperativo de convivência supostamente democrática.

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é
o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando...

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.”

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina
é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente...

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”.

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter,
sentir, amar.

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do
que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal a o autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca:

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas;

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a
avaliação ao perfil dos alunos”;

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições,
freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar;

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras
missões na sociedade;

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã;

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam  analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”;

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e
moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia;

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição.

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos;

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores;

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício
da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível
que podemos chamar de “o outro”.

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do
patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.”

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte
não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é
fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.

Igor Pantuzza Wildmann

Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

Dicionário inFormal

O dicionário de português gratuito para internet, onde as palavras são definidas pelos usuários. Uma iniciativa de documentar on-line a evolução do português.
Não deixe as palavras passarem em branco, participe definindo o seu português!


http://www.dicionarioinformal.com.br/

Blog Ebooks Grátis
(http://www.gutenberg.org/

ANGÚSTIA

As minhas angústias
São amargas
Como o polém...
Elas vivem negras
E tem gosto de açúcar.
As minhas angústias
adormecem somente minhas.
Não navegam como o céu
Azul... turquesa, visto
Com outros olhos...
Detalhes de uma vida.
Vida apenas vista, enquanto
e padeço
Num sótão de alegrias
Mortas.

Um dia triste - 03/04/00 Xandy Britto

Dica de livros

Links legais

http://blogs.abril.com.br/agora

http://www.louvre.fr

http://marketinaweb.blogspot.com/

http://thirinhas.wordpress.com/

http://xandybritto.blogspot.com/

http://sandra-acasaenossa.blogspot.com

http://contoscantoseencantos.blogspot.com/

http://www.concursosliterarios.com.br

http://www.cbl.org.br/jabuti

http://www.ateliermeow.com

http://www.ultrapassandobarreiras.blogspot.com

http://escuteseusolhos.blogspot.com

http://www.neostesia.com

http://informlegal.blogspot.com/


http://marketing-na-web.blogspot.com

http://fatosetudo.blogspot.com

http://temtodasasmusicas.blogspot.com/

http://tododostempos.blogspot.com/

http://velozeseturbinados.blogspot.com



Arquivo do blog

Minha lista de blogs

Itens compartilhados de joyce

The Animal Rescue Site
PageRank
My Ping in TotalPing.com

Labels