quarta-feira, 14 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um retrato da leitura no Brasil

Terezinha Saraiva 12/8/200

Folha Dirigida - 7/8/2008

Tenho muito interesse em conhecer, estudar e escrever sobre pesquisas realizadas. Hoje, vou abordar as informações levantadas pela pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" realizada por encomenda do Instituto Pró-Livro, criado em 2006, por entidades do mercado editorial. Embora seu maior objetivo tenha sido, certamente, levantar dados para orientar as Editoras, em relação à organização de seus catálogos, para conhecer seu público consumidor em potencial, a pesquisa trouxe um alerta para as escolas, para os professores, para as famílias. Os dados coletados confirmam o que outras pesquisas já haviam revelado: as mulheres lêem mais livros do que os homens, principalmente quando se trata de livro de ficção. A exceção fica com os livros referentes a história, política e ciências sociais. Das pessoas entrevistadas, que se identificaram como leitores, 17% dos homens disseram ler romance. Entre as mulheres que responderam, a taxa chegou a 41%.

No ano passado, um levantamento encomendado pela Associated Press, nos Estados Unidos, constatou que as mulheres liam, em média, nove livros por ano, enquanto os homens liam cinco. No clássico "A ascensão do romance", publicado no Brasil, pela Companhia das Letras, o crítico e historiador Ian Walt mostra que, já no século XVIII, os leitores de romance eram, em sua maioria, mulheres. O coordenador da pesquisa "Retratos da Leitura, no Brasil", Galeno Amorim diz que "as diferenças entre homens e mulheres não estão, apenas, nas taxas de leitura, mas também nos usos que eles fazem dos livros." Segundo ele, a pesquisa evidencia que a mulher aprecia e dá mais valor à leitura do que o homem, por estar aberta para a leitura pelo prazer, enquanto o homem faz uma leitura mais pragmática.

A pesquisa revelou, também, que a mãe é a pessoa mais importante na formação do hábito de leitura. Ela antecede à escola, que ficou em segundo lugar. O pai vem em terceiro lugar. Esse dado leva a uma reflexão: a que classe pertenciam os leitores que responderam à pesquisa Certamente, às classes A, B e C, já que as pessoas dos grupos menos favorecidos, sob o aspecto financeiro, não dispõem de recursos para adquirir livros, e a maioria não dispõe de tempo para ler, já que está envolvida em uma dupla jornada de trabalho - a que realiza fora de casa e a doméstica. Assim, avulta a responsabilidade da escola como formadora do hábito da leitura, extremamente importante na escolaridade de nossas crianças, adolescentes e jovens, para a melhoria da qualidade da aprendizagem, para a aquisição de informações que são transformadas em conhecimento. A leitura tem importância para a expressão verbal, para escrever bem. Só escreve bem quem lê. Só entende o enunciado de problemas, quem sabe interpretar o que lê. Na falta de pai e mãe que despertem nos seus filhos o encanto, o prazer, o amor pela leitura, compete à escola e aos professores incluírem em sua prática docente, tempo destinado à leitura, para formar o hábito de ler. Essa aprendizagem começa na pré-escola, por meio de várias atividades. É preciso que, desde cedo, as crianças manuseiem livros, contem histórias a partir de suas gravuras. Após a alfabetização, as crianças precisam ter na escola, diariamente, o encontro com o livro, com a leitura. Sabemos, entretanto, que hoje isto não vem ocorrendo na maioria de nossas escolas. Poucas têm bibliotecas; muitas das que existem permanecem fechadas. Não são utilizadas nem por professores, nem pelos alunos. Turmas superlotadas, jornada de aula pequena, professores que não são leitores são alguns dos fatores que fazem com que a leitura não seja uma atividade praticada com a freqüência necessária, nas escolas de nossos dias. Mesmo que as escolas não possuam biblioteca, as salas de aula podem ter um "cantinho de leitura" para permitir que os alunos tenham contato diário com livros, jornais, revistas, revistas em quadrinhos, manuais, receitas de comida, bulas de remédio, e tantos outros materiais e, assim, nossas crianças vão-se tornando leitores, vão descobrindo o mundo por meio da leitura. O hábito da leitura, além do prazer que proporciona, amplia os horizontes e permite um melhor desempenho escolar, perpetuando-se por toda a vida. É preciso que a escola e os professores voltem a dar a importância e o espaço para a leitura, como faziam as escolas de ontem, formando desde cedo o hábito e o prazer de ler, enriquecendo o vocabulário de seus alunos, sobretudo porque, nos dias de hoje, as mães de nossas crianças estão envolvidas no trabalho fora de suas casas, não dispondo de tempo para formar em seus filhos o hábito de ler, sem falar das que, além de falta de tempo, não têm recursos financeiros para adquirir livros, jornais, revistas, para leitura delas próprias, nem de seus filhos. É preciso formar em nossas crianças e adolescentes o hábito da leitura que, além de prazeroso, educativo, cultural, os auxilia para terem um melhor desempenho escolar, além do encanto que a leitura proporciona às nossas vidas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

NERUDA

sexta-feira, 2 de abril de 2010

HAENDEL

omarzzo 8 de março de 2009 — Georg Friedrich Haendel (1685-1759) compositor alemán pero que se naturalizó inglés. Compuso su ópera Rinaldo en 1711 y obtuvo con ella un extraordianrio éxito. Se basa en la obra "Jerusalén liberada" de Torcuato Tasso y nos narra los amores entre Rinaldo, un soldado cruzado, y Almirena.
Opera, la primera que Handel compuso específicamernente para la corte inglesa, cantada en italiano y con una exquisita orquestación en la que destaca, entre todas, el aria "Lascia ch´io pianga". Originalmente era cantada por un castrado. Aquí la canta la soprano italiana Cecilia Bartoli.

quarta-feira, 17 de março de 2010

SOMBRAS

Sombras

Então qualquer hora a gente pisa na mesma folha de calçada, como se fôssemos Federico Garcia Lorca e Clarice Lispector. E nos disséssemos “tudo bem?” cansados da brincadeira, os olhos fundos das ilusões mortas, as olheiras espiando nossas rugas. Nossas ruas. Nossas luas. Tudo assim. Como as leis nos prescreveram. 




Zeca C. Leite

terça-feira, 16 de março de 2010






Suspeito, do LP Façanhas de 1992.

Composição: Arrigo Barnabé e Hermelino Nader

Você tem medo de fazer amor comigo
Você tem medo de acordar com um bandido
E ver no espelho escrito com batom:
- Tchau trouxa, foi bom!
Você não sabe de onde eu tiro o meu dinheiro
Você não sabe o que eu faço o dia inteiro
E esse mistério destrói a nossa paz
Ah, não posso mais
Não me pergunte nada, me deixe apenas vendo
Seu corpo lindo vindo para mim
E não se esconda tanto pois o seu corpo chama
Um outro corpo solto sobre o seu que eu bem sei
É o meu
Você suspeita que eu não seja um bom sujeito
E não entrega seu amor a um suspeito
Mas mesmo tentando jamais conseguirá
Não me desejar

quarta-feira, 10 de março de 2010

MARTINS PENA



 Sobre a obra
O famoso provérbio “Quem casa, quer casa” está associado a esta peça teatral de ato único, que se passa no Rio de Janeiro, em 1845.

Na trama, o casal de filhos de Dona Fabiana casa-se com o casal de filhos de Anselmo. Os recém casados continuam morando com Dona Fabiana.

A confusão é tanta que resulta em várias brigas cômicas e Nicolau, marido de Dona Fabiana, é um “carola molengão” que não faz nada. É Anselmo quem resolve o problema de forma prática.

obre o autor

Luís Carlos Martins Pena nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 5 de novembro de 1815. Com apenas um ano de idade, ficou órfão do pai, João Martins Pena. Aos dez perdeu também a mãe, Francisca de Paula Julieta Pena.

Seus tutores o designaram para a vida comercial, tendo completado o curso do comércio em 1835. Porém, passou a freqüentar a Academia de Belas Artes, onde estudou arquitetura, estatuária, desenho e música. Simultaneamente, estudava línguas, história, literatura e teatro.

Em 1838, entrou para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde exerceu cargos, até chegar ao posto de adido à Legação do Brasil em Londres. Fez crítica teatral como folhetinista em jornais, mas sua maior contribuição à literatura nacional foi como teatrólogo.

É considerado o fundador da comédia de costumes e, dotado de veia cômica, escreveu diversas comédias e farsas que alcançaram destaque na época e ainda são representadas com êxito. Faleceu em Lisboa, Portugal, em 7 de dezembro de 1848.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

AUTORES INDIANOS

sábado, 6 de fevereiro de 2010

HILDA HIST

Sobre a obra
“Jubilo, memória e noviciado da paixão” foi publicado em 1974.

Trate-se de um livro de poesia. Os dez poemas de “Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio” compõem a obra.

O título do LivroClip “A sublime senhora H. e as odes de uma Ariana” faz referência à obra “A obscena senhora D.”, em que Hilda Hilst escreve sobre Hillé, que após a morte do amante, se recolhe no vão de uma escada.

Os textos trazem muitas referências à mitologia clássica. Ariana é mulher do signo de Áries, associado ao impulso criador, ao fogo. Mas Ariana também é Ariadne, mortal apaixonada pelo herói Teseu, que a abandona numa ilha. Dionísio, deus do vinho e da embriaguez, da colheita e da fertilidade, a encontra, impressiona-se com sua beleza e a leva para o Olimpo.

O obra também é repleta de referências à literatura clássica. Num dos poemas, a poeta cita Catulo, provavelmente o primeiro poeta lírico da antiga Roma. Catulo dirigia textos obscenos à Lésbia, também identificada como Clódia, mulher que mantinha relacionamentos extraconjugais.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Há Tempos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Eu sei mas não devia


Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo q ue não tinha certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava . Queria saber a hora.
Talvez não fosse um menino De Família, mas também não era um Menino de rua. è assim que a gente divide. Menino De Famílía é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua. Menino DeRua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão. [...]
Na verdade não existem meninos DE rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante  muitos anos também  são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe n arua. E por quê.
COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Livros lançados recentemente

Relação dos livros lançados recentemente
Veja quais foram os livros lançados nas maiores livrarias
 

Lançamento
Vale Tudo : Tim Maia
NELSON MOTTA


 

Lançamento
Pré-Venda: Onde Está Teresa ?
ZIBIA GASPARETTO & LUCIUS (ESPIRITO)


 

Lançamento
Alô chics !
GLORIA KALIL

Ir para o site

 

Lançamento
HARRY POTTER E AS RELIQUIAS DA MORTE


 

Lançamento
O SEGREDO
BYRNE, RHONDA


 

Lançamento
Pré-Venda: Diana : Crônicas Íntimas
TINA BROWN


 

Lançamento
Pré-Venda: Einstein : Sua Vida, Seu Universo
WALTER ISAACSON

Ir para o site

 

Lançamento
História da Feiúra
UMBERTO ECO


 

Lançamento
Magra e Poderosa
RORY FREEDMAN & KIM BARNOUIN


 

Lançamento
Pré-Venda: Quem Ama, Educa!: Formando Cidadãos Éticos
ICAMI TIBA


 
 
 

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Livros mais vendidos

01/01/2010 - 20h36

Veja os livros mais vendidos na Livraria da Folha em dezembro

da Folha Online
No mês em que se realizou a Conferência de Copenhague, o livro mais vendido da Livraria da Folha na categoria "Não Ficção" foi "Como Combater o Aquecimento Global", que oferece informações e sugestões práticas para minimizar o impacto que causamos ao meio ambiente.
Outro destaque de dezembro é "O Símbolo Perdido", que pelo segundo mês aparece no topo da lista de "Ficção".
Veja abaixo os livros mais vendidos em diversas categorias.
Divulgação
FICÇÃO
1. "O Símbolo Perdido"
2. "O Aniversário de Asterix e Obelix: o Livro de Ouro"
3. "Caim"
4. "Os Espiões"
5. "A Cabana"
Veja lista detalhada
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Divulgação
NÃO FICÇÃO
1. "Como Combater o Aquecimento Global"
2. "Honoráveis Bandidos"
3. "Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola"
4. "Seu Futuro em Direito"
5. "1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer"
Veja lista detalhada
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CULINÁRIA E GASTRONOMIA
1. "Bíblia do Churrasco"
2. "O Livro do Churrasco"
3. "Memórias Gastronômicas"
4. "Guia de Vinhos Larousse"
5. "Culinária Japonesa para Brasileiros"
Veja lista detalhada
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VIAGEM E TURISMO
1. "As Melhores Viagens do Mundo"
2. "Guia Visual Itália"
3. "Guia Visual Paris"
4. "Walt Disney World Resort & Orlando"
5. "Guia Visual Nova York"
Veja lista detalhada
-
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INFANTIS
1. "Foi Feito por Mim!"
2- "O Pequeno Príncipe"
3. "A História do Natal"
4. "Predadores"
5. "O Sítio do Picapau Amarelo"
Veja lista detalhada
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Capa de "15 Minutos Inglês"
REFERÊNCIA
1. "15 Minutos Inglês"
2. "Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa"
3. "15 Minutos Francês"
4. "15 Minutos Italiano"
5. "15 Minutos Espanhol"
Veja lista detalhada
-
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FOLHA EXPLICA
1. "Futebol Brasileiro Hoje"
2. "Paulo Freire"
3. "Villa-Lobos"
4. "O Narcotráfico"
5. "Carlos Drummond de Andrade"
Veja lista detalhada
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Divulgação
SAÚDE
1. "100 Receitas de Saúde: Sucos e Vitaminas"
2. "Os Segredos da Respiração"
3. "Meditação da Luz"
4. "Superalongamento"
5. "Como Viver Mais e Melhor"
Veja lista detalhada
-
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.
ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO
1. "Os Axiomas de Zurique"
2. "A Ciência de Ficar Rico"
3. "Investindo em Opções"
4. "Investimentos Inteligentes"
5. "Mercado de Opções"
Veja lista detalhada
-
Divulgação
CARREIRA E SUCESSO
1. "Seu Futuro em Direito"
2. "Aprenda a Usar o Tempo"
3. "A Arte de Escrever Bem"
4. "Matemática Financeira com Uso do Excel e Hp12c"
5. "Médico"

domingo, 17 de janeiro de 2010

The road not taken



Robert Frost (1874–1963).  Mountain Interval.  1920.

1. The Road Not Taken


TWO roads diverged in a yellow wood,

And sorry I could not travel both

And be one traveler, long I stood

And looked down one as far as I could

To where it bent in the undergrowth;
        5

Then took the other, as just as fair,

And having perhaps the better claim,

Because it was grassy and wanted wear;

Though as for that the passing there

Had worn them really about the same,
        10

And both that morning equally lay

In leaves no step had trodden black.

Oh, I kept the first for another day!

Yet knowing how way leads on to way,

I doubted if I should ever come back.
        15

I shall be telling this with a sigh

Somewhere ages and ages hence:

Two roads diverged in a wood, and I—

I took the one less traveled by,

And that has made all the difference.
        20

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Edith Piaf

domingo, 3 de janeiro de 2010

Paulo Freire

Extraído De Pedagogia da Autonomia, p. 43.


O que se coloca à educadora ou ao educador democrático, consciente da impossibilidade da neutralidade da educação, é forjar em si um saber especial, que jamais deve abandonar, saber que motiva e sustenta sua luta: se a educação não é a chave das transformações sociais, não é também simplesmente reprodutora da ideologia dominante. O que quero dizer é que a educação nem é uma força imbatível a serviço da transformação da sociedade, porque assim eu queira, nem tampouco é a perpetuação do "status quo" porque o dominante o decrete. O educador e a educadora críticos não podem pensar que, a partir do curso que coordenam ou do seminário que lideram, podem transformar o país. Mas podem demonstrar que é possível mudar. E isto reforça nele ou nela a importância de sua tarefa político-pedagógica.

sábado, 26 de dezembro de 2009

A escola:um dos principais agentes da atuação das ideologias












Faz-se necessária, também, uma reflexão sobre a tão comentada crise no ensino da língua materna, a exemplo do que ocorreu em outros países, da qual se ouve falar desde os anos setenta no Brasil. Tal crise definida, ora como uso deficiente ou inadequado da língua materna, ora como ineficiência do ensino, coincide com o processo de democratização da escola. Esta escola, que sempre privilegiou a cultura e a linguagem das classes favorecidas, pretende-se democrática, mas não aceita o dialeto de alunos pertencentes às camadas populares, expressão de sua cultura. Sobre esse assunto comenta Gnerre (1985) que processos considerados democráticos, mesmo com o objetivo de aumentar oportunidades e recursos educacionais, podem estar a serviço de processos de padronização da língua, pois estes costumam ser utilizados como instrumentos de controle do estado sobre faixas de difícil controle, já que tais grupos que mantêm contato reduzido com a variedade padrão da língua e produzem pouco material escrito, muitas vezes têm dificuldade para entender o mapa de estratificação social e as conseqüentes posições sociais, ou seja quem é quem na sociedade. Assim, a educação formal tem este lado que visa formar cidadãos mais produtivos e funcionais, preparados para interagir na sociedade.
Para Baudrillard, (Apud Chang,1996, p.181), existe um terrorismo do código que, por funcionar como mecanismo que salvaguarda a univocalidade da mensagem, reprime a heterogeneidade e contradições que surgem nos processos reais de comunicação social. Assim, não partilhamos códigos, nem transmitimos unilateralmente a mensagem. Bakhtin, em seus estudos sobre a linguagem, chama a atenção para o fato de que existe um vínculo orgânico entre o uso da linguagem e a atividade humana, pois não falamos no vazio, os enunciados que produzimos estão sempre relacionados às esferas do agir humano, têm tema, organização composicional e estilos adequados às finalidades e condições de cada atividade realizada. Tal pensamento esclarece a complexidade existente nas práticas de linguagem, bem como das atividades humanas e, conseqüentemente, à permanente mutação nos gêneros do discurso.
De outra maneira, as pesquisas de Chartier (2001) questionam o significado da leitura nas sociedades tradicionais. A seu ver, há uma capacidade de decifração que muitos possuem que pode revelar um grande número de habilidades, sendo estas das mais virtuosas às mais hesitantes. É preciso, portanto, fazer a reconstituição das diferenças simplificadoras que persistem até hoje como a de duas populações opostas, isto é, a de leitores alfabetizados e analfabetos iletrados. O autor cita uma primeira diferença que seria a modalidade física do ato léxico, que caracteriza uma leitura silenciosa de outra que necessita da oralização em voz alta ou baixa.
Chartier trata diacronicamente o assunto, datando três épocas de conquista da leitura visual em silêncio. São elas os séculos IX-XI, quando os scriptoria monásticos abandonaram os hábitos da leitura e da cópia oralizada; o século XIII com a leitura silenciosa adotada nas universidades; e a partir da metade do século XVI quando a leitura silenciosa é adotada pelas aristocracias laicas. Foi desta forma que se deu uma nova relação com o livro, mais fácil e produtiva, que foi favorecida por mudanças no próprio manuscrito como, por exemplo, a separação das palavras, provocando relações analíticas entre o texto e suas glosas, notas e índices. Acontece, então, uma mudança no ato de ler, que antes consistia num esforço do corpo inteiro para outra arte de ler, na intimidade de uma relação individual.
Nesse sentido, é interessante assinalar a recente tradução do árabe para o português, da obra As mil e uma noites, feita pelo professor Mamede Mustafá Jarouche, que traz aos leitores brasileiros os mais famosos contos orientais universais, assim considerados, talvez, porque muitos os conhecem mesmo sem nunca os terem lido, além de suas múltiplas origens geográficas e culturais. Hugo Estenssoro (2005) ao comentar o lançamento da obra, destaca a infinitude do livro a partir, mesmo, de seu título e cita autores como De Quincey, que credita aos contos o entendimento que lhe foi dado de que “as mínimas coisas do universo devem ser espelhos das maiores” além de citar, também, Borges, autor que se refere ao livro como “uma espécie de eternidade”.
A informação acima veiculada pretende relacionar alguns dados históricos sobre a leitura e a escrita, pois, concordamos com Yunes (2005), ao dizer que, em nossa sociedade contemporânea, o fato da alfabetização ter se tornado uma imposição para o desenvolvimento industrial, entre outros, como foi visto no relato das pesquisas de Chartier e Hebrard (1995), disseminou a idéia de que a leitura decorre da escrita, embora se saiba, e os contos orientais são um exemplo disto, que a oralidade precede a escrita no tempo e memória dos homens.
Toda e qualquer forma de linguagem é criada pela cultura de um povo que define correspondências, formando um sistema definidor das representações deste mesmo povo sobre o mundo, portanto, a linguagem cria, dá significado ao mundo. Assim, tanto falantes quanto leitores somos obrigados a ver o mundo por meio das configurações das línguas e, de acordo com filósofos da linguagem como Wittgenstein (1996) e Austin (1986), o que entendemos como real significa o sentido que lhe atribuímos. Desta forma, aquilo que é dito depende de quem fala e da sua ideologia, bem como depende do ouvinte. No caso de um grupo social estar dominado por um só ponto de vista, contamina outros discursos e assim se perde a polifonia de vozes. A escrita tem um papel perverso neste processo, pois pode fixar significados, reforçando interpretações. Porém, na oralidade que antecede a escrita se insinua a criação de sentidos, pois o homem ao mesmo tempo que nomeia a natureza está interpretando-a, atribuindo significado, funções e designações, ou seja, está lendo.
Yunes (2002) considera que da mesma forma que a escrita não suprimiu a oralidade, continua preservada a condição de leitor que pratica o tipo de leitura acima descrito, uma camada secundária dentro da oralidade, intensamente presente na cultura alfabetizada, porém, atualmente condicionada ideologicamente pela mídia. Assim,


O mundo já aparece interpretado consoante as vozes que o manipulam, dos telejornais às telenovelas, dos comentários às entrevistas que alienam contextos para naturalizar práticas. (YUNES, 2002, p.54)


Da forma explicitada acima, idealmente, todos somos leitores, embora os marginalizados da alfabetização, muitas vezes não se considerem assim, pois não lhes é dada a condição de construção de um imaginário a partir da linguagem escrita no meio em que está inserido, isto é, sua capacidade de leitura é censurada.
Desta maneira, sabendo que só escreve quem lê, é importante acrescentar que, na pós-modernidade, precisamos ter clareza de que na leitura de mundo também está presente uma leitura oriunda da escrita. A cidadania em nossos tempos não é a mesma do século XIX, pois, neste último, havia a necessidade de formação de uma sociedade em harmonia com uma nação, hoje, porém, há a necessidade de sobrevivência humana à diversidade social. Para Yunes (2002), é importante a revisão da história da leitura no sentido de corolário da escrita.
Sabemos que o homem, desde os primórdios de sua existência, ao registrar, de várias formas, suas impressões ou interpretações, realizava uma escrita não-alfabética como produto de uma leitura precedente. Por outro lado, tal valorização da leitura poderia levar ao pensamento de que a codificação imobiliza a mensagem, já que preexistia à escrita. Tal fato, então, acarretaria a imobilidade da leitura, situação que de fato ocorreu durante muitos séculos, a favor das ideologias dominantes, juntamente com aqueles autorizados a ler, isto é, decodificando e interpretando signos definidos a priori.
Por muito tempo, o registro da participação do leitor ao longo da história não se importou com o exercício de interpretação por ele exercido, mas sim com gestos posturais, movimentação dos lábios, fonação etc. Tal aspecto era visto como um reconhecimento na escrita dos sentidos retidos nela inscritos pelo poder social. O sentido absoluto do que era registrado na escrita só se modificou com o surgimento de sociedades de caráter democrático, mais recentemente, quando houve a repercussão de valores e necessidades comuns entre classes sociais diferentes, fato que colocou em dúvida a valorização do escrito como verdade única.
Mais recentemente, apesar do grande valor da escrita em nossa sociedade, sabemos de estudos que destacam a mobilidade dos signos, regida por usuários que criam novas referências, transformam as formas e sua ordem, criam discursos neste espaço onde realmente acontece a leitura. Yunes (2002) usa as seguintes palavras de Michel de Certeau para exemplificar este fato:




Bem longe de serem escritores, fundadores de um lugar próprio, herdeiros dos lavradores de antanho - mas, sobre o solo da linguagem, cavadores de poços e construtores de casa –os leitores são vigilantes: eles circulam sobre a terra de outrem, caçam, furtivamente, como nômades através de campos que não escreveram, arrebatam os bens do Egito para com eles se regalar. A escrita acumula, estoca, resiste ao tempo pelo estabelecimento de um lugar, e multiplica a sua produção pelo expansionismo da reprodução. A leitura não se protege contra o desgaste do tempo ( nós nos esquecemos e nós a esqueceremos); ela pouco ou nada conserva de suas aquisições e cada lugar por onde ela passa é repetição do paraíso perdido. (CERTEAU, apud Yunes, 2002, p. 55)




Assim, para Yunes (2002, p. 56) “a escrita é um instantâneo no fluxo das leituras, ato contínuo que se interrompe para registro, por um lado; por outro o exercício de que fala de Certeau: desimobilizar o texto alheio, insuflando-lhe vida nova pela sua reinserção no circuito de significação”.
Desta forma, é possível dizer que a força do escrito vem do leitor, que a ela atribui um sentido em um contexto histórico determinado. A oralidade anterior à escrita, ou mesmo as sociedades ágrafas fundaram sua organização e cidadania na confiabilidade da palavra oral. Já em nossa era, a oralidade está contaminada pela escrita e as práticas de leitura são, na maioria das vezes, condicionadas pelas forças ideológicas dominantes, principalmente no ambiente escolar.
Atualmente, uma questão importante para os estudiosos da linguagem e da educação refere-se ao objetivo do ensino da língua materna: desenvolver um padrão lingüístico, norma padrão, ou reproduzir a ordem social vigente. De acordo com Silva (2002):




A escola brasileira, ainda que pseudodemocratizada, no que diz respeito à língua materna, persegue, no geral, a tradição normativo-prescritiva, (...). A conseqüência disso para quem tenha algum verniz de formação lingüística é óbvia: muitas e variadas normas chegam à escola e essa persegue ainda um ideal normativo tradicional. A grande maioria cala e tem que deixar a escola para lutar pela sobrevivência quotidiana e continuará subalterno, na sociedade que se reproduz de geração a geração, deixando o poder e a voz com aqueles que, por herança, já os adquiriram.( SILVA, 2002, p. 33)




De forma similar a Silva (2002), Magnani (2001) declara:




A escola, por sua vez, na medida em que trabalha primordialmente com a palavra, “signo ideológico por excelência”, institucionaliza códigos de leitura e escrita, os quais se baseiam em uma concepção de língua enquanto sistema de normas forjadas por uma classe, mas aprendidos e utilizados como se fossem naturais e espontâneos, e prepara um perfil de leitor que servirá de parâmetro para a produção de livros. (Magnani, 2001, p.8)


A escola, em função de tais aspectos, torna-se um dos principais agentes da atuação das ideologias, atuando por meio da legislação, programas de ensino, conteúdos, metodologias e avaliação na inculcação de um padrão para orientar o comportamento dos indivíduos. Como existem brechas nessas relações, surgem contra-ideologias que logo são combatidas pelo Estado na forma de reformas de ensino, reorganização curricular, projetos, entre outros.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

The end



The End
(Backspacer - Pearl Jam)

What were all those dreams we shared
those many years ago?
What were all those plans we made now
left beside the road?
Behind us in the road

More than friends, I always pledged
cause friends they come and go
People change, as does everything
I wanted to grow old
I just want to grow old

Slide up next to me
I'm just a human being
I will take the blame
But just the same
this is not me

You see?
Believe...

I'm better than this
Don't leave me so cold
I'm buried beneath the stones
I just want to hold on
I know I'm worth your love

Enough...
I don't think
there's such a thing

It's my fault now
Having caught a sickness in my bones
How it pains to leave you here
With the kids on your own
Just don't let me go

Help me see myself
cause I can no longer tell
Looking out from the inside
of the bottom of a well

It's hell...
I yell...

But no one hears before I disappear
whisper in my ear
Give me something to echo
in my unknown future's ear

My dear...
The end
comes near...
I'm here...
But not much longer.

(Imagens da internet)
Categoria:  Música
Dicionário inFormal

O dicionário de português gratuito para internet, onde as palavras são definidas pelos usuários. Uma iniciativa de documentar on-line a evolução do português.
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Blog Ebooks Grátis
(http://www.gutenberg.org/

ANGÚSTIA

As minhas angústias
São amargas
Como o polém...
Elas vivem negras
E tem gosto de açúcar.
As minhas angústias
adormecem somente minhas.
Não navegam como o céu
Azul... turquesa, visto
Com outros olhos...
Detalhes de uma vida.
Vida apenas vista, enquanto
e padeço
Num sótão de alegrias
Mortas.

Um dia triste - 03/04/00 Xandy Britto

Dica de livros

Links legais

http://blogs.abril.com.br/agora

http://www.louvre.fr

http://marketinaweb.blogspot.com/

http://thirinhas.wordpress.com/

http://xandybritto.blogspot.com/

http://sandra-acasaenossa.blogspot.com

http://contoscantoseencantos.blogspot.com/

http://www.concursosliterarios.com.br

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